É interessante que grandes homens alinharam Portugal quando mais foi preciso. Acredito que com muitas duvidas e contrariedades mas com firmeza e visão de futuro, mas sobretudo com abnegação do que fosse a vaidade pessoal ou benefícios próprios. Pelo menos é com essa imagem que nos chegam até hoje.
Arrisco a sugerir que a pergunta que se colocaram tenha sido algo do tipo: "como e onde queremos estar dentro de alguns anos e como faremos para lá chegar?". O que terá inspirado o Infante - que nem sequer era Rei - para lançar-se em tão grande aventura? O que tínhamos na altura: que meios, que pessoas? Parece estranho mas, nos dias de hoje, não sabemos bem para onde vamos, mas todos nos queixamos de que não temos meios para atingir um qualquer hipotético objectivo futuro, que, já agora, também não conhecemos. Em resumo, caminhamos a olhar para o chão, ou melhor, para os sapatos rotos que queremos que pareçam brilhar.
Parece descabido o caminho mastigado que temos feito nos últimos anos e a lama que se criou com este pisar, pesado, continuado, e sem sair do mesmo sitio. Já é hora de deixar de nos comportarmos como na véspera do Terramoto à espera que alguém, depois, diga: "Enterrem-se os mortos..."