sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Medalha de cortiça

Estamos a iniciar novo ano mas continuamos a enfrentar os mesmos desafios. Os mesmos porque são iguais? Não, são os mesmos mas piores, cada vez mais sérios e, cada vez mais, decisivos. Porventura será o ano da oportunidade de eliminarmos alguns dos responsáveis pelo estado das coisas, mas esta esperança Sebastianica, muito portuguesa aliás, tem que ganhar forma. Diria, antes, até, ganhar identidade. Ora aqui nos deparamos com uma dificuldade dos últimos anos: o novo líder que se revele - sim, porque já existirá? - deverá ter origem na massa pensante e limpa. É possível? Só depende de nós!
Na Escola, na minha Escola, era dado ao ultimo classificado uma medalha de cortiça, que designava uma recompensa menor, correspondente ao menor esforço reflectido, ou do menor sucesso alcançado. Este facto esteve guardado na minha memória sem lhe dar grande relevância, mas para a actualidade ganha uma nova interpretação: desde que a cortiça se tornou um material de orgulho nacional muitas destas medalhas ganharam brilho e, desta forma, muitos menos-esforçados se tornaram heróis. Complicando o raciocínio: muitas vezes têm sido as que, tantas medalhas ganhas, os mantém à tona de uma água escura e fétida onde nadam e mergulham. Em que se agrupam para não se afundarem; escorregam a quem os quer agarrar; ganham anticorpos como protecção ao próprio meio e comem para não serem comidos.
Quanto aos outros, os ouro e prata, guardam sem ostentação mas com inteligência, as suas medalhas em caixas de cartão longe de quem os possa associar a elas, pois há um risco que não querem correr: afundarem-se com o seu peso!
Agora que o já ouro vale mais, é preciso que passem a ser vistas de novo...