quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Já chegámos?

Cá vamos nós. Andamos em pára-e-arranca há demasiado tempo, sem vermos a beira da estrada e sem saber para onde viajamos. O carro é velho, deita fumo, vai cheio, mas não sabemos quem o conduz verdadeiramente. Ou sabemos?
E se o carro estiver a ser empurrado? E se os comandos não responderem? E se estivermos realmente parados e, afinal, é o Mundo que gira à nossa volta? E se os solavancos existem só para nos adormecer? E se adormecermos? O que nos adormeceu? Quem nos adormeceu? Foi o Senhor da Loja? Foi o rebuçado que ele nos deu?
Que medo, ao volante vai o Boneco do Senhor da Loja. Vai louco, vai cego. Parece que quer ir-se embora, mas não pode. O carro vai cheio...
Acordei. Agora vejo quem vai ao volante. Que descanso. Já vejo a estrada já vejo as casas.
Pai, já chegámos?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

FMI

Lembro-me quando era míudo, sendo criado num ambiente de esquerda (ainda que moderada), escutar acerca dos maus do FMI. Das suas caricaturas com os seus chapéus à cowboy e de mão dada aquele senhor de dentadura proeminente, o Jimmy Carter. Do mal que nos faziam, do que nos impunham, dos portugueses (alguns considerados traidores da revolução) que os apoiavam. Confesso que achava graça à sigla. E havia tantas.
Só mais tarde percebi que a confusão, na altura, era tal que foi preciso alguém vir de fora para nos organizar a casa e, já agora, ter a certeza para onde ia o dinheiro. Agora, também, parece-me claro que essa opção era melhor que outra mais fria, do outro lado da cortina e, acredito, que grande parte dos revolucionários também pensa agora assim.
De novo aparece o FMI e, agora com mais alguns anos e mais alguma informação, gosto de saber que esses senhores estão ainda atentos e, em especial, do que têm para nos dizer.
Acredito que com esta "ajuda" o consenso seja mais fácil! Só falta acrescentar uma recomendação: saia de cena quem não é de cena...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Com a cabeça no rebanho

É estranha a esquizofrenia nacional à volta do que pode ser colectivo . Vivemos hoje entre: "dou tudo porque precisam"; "vou guardar para o vizinho não ver"; "vou votar no "ídolo" que todos gostam"; "não te deixo passar na fila, espertinho"; "prendam-no que é ladrão"; "coitado que o tentaram entalar"; e por aí adiante...Por um lado, dificilmente partilhamos as nossas coisas, objectos, ideias, visões; por outro, por pena, damos tudo o que temos e não temos e unimo-nos para ajudar- sempre pontualmente, claro.
O espírito colectivo morreu à nascença quando, no pós-25 de Abril, uns convenceram outros mais, de que era na partilha e na comunhão dos bens que estava a realização do Homem - era algo contra o que metade do Mundo lutava mas que era novo em Portugal. Acredito na boa vontade de quem aderiu a tal pensamento, na sua sinceridade, na forma como seguiram quem lhes trazia essas novidades e se extasiavam com as ilustrações exemplares e vivas de uma URSS ou China, cujos arquétipos sociais eram a revelação da igualdade. Gostando ou não, nessa altura quem acreditou, seguiu e entregou-se. Sim, depois, desiludiu-se e deixou de acreditar. O importante, nesta reflexão, é que a maioria das pessoas acreditava que algo de bom viria, que as ideias que escutavam faziam sentido, quem o dizia merecia a sua confiança e, algumas, estavam certas. Quem os guiava acreditava no que expunha, o seu entusiasmo incendiava o publico, e era fácil. Eu disse "algumas". Pois bem, é aqui que reside o problema. Algumas são sempre poucas e a maior parte tarde percebeu que sob a ideologia apregoada pelos líderes existia uma milícia que actuava em proveito próprio e que, mais tarde ou mais cedo, se tornou evidente o seu propósito.
Criaram-se dois monstros: um a desconfiança a tudo que soe a ideologia e outro a repulsa ao que possa ser colectivo. Em termos práticos, os ideólogos do comum e colectivo negaram a sua origem e deixaram orfãos os seus filhos.
Os líderes de hoje pensam de forma individual e isso transparece para quem escuta e observa. Não nos esqueçamos que muitos destes foram os tais "milicianos" e as pessoas ainda se recordam dos seus bigodes e cabelo comprido. Ainda bem! A nova geração de políticos tem que retomar a ideologia, tem que ser sincera e verdadeira no que diz, ou seja, acreditar na sua visão do país. Mostrar que conhece bem as suas limitações mas que não tem duvida onde quer chegar e que caminho deve trilhar para o conseguir. Só assim retomaremos o espírito colectivo e conseguiremos, com um líder, caminhar num mesmo sentido e evoluir. Caso contrário termos um país desconfiado, com a cabeça metida no rebanho sem saber para onde o levam, passeando à roda sem sair do mesmo sitio, a pisar e rapar a pastagem, sem ver onde está o novo cercado.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Para quê continuar à espera do Terramoto?

"Enterrem-se os mortos e tratem-se os vivos", terá dito D. Sebastião. Sim, Sebastião José de Carvalho e Melo, que reconstruiu Lisboa depois do terramoto de 1755 e reformou o País aproximando-o do dinamismo centro-europeu.
É interessante que grandes homens alinharam Portugal quando mais foi preciso. Acredito que com muitas duvidas e contrariedades mas com firmeza e visão de futuro, mas sobretudo com abnegação do que fosse a vaidade pessoal ou benefícios próprios. Pelo menos é com essa imagem que nos chegam até hoje.
Arrisco a sugerir que a pergunta que se colocaram tenha sido algo do tipo: "como e onde queremos estar dentro de alguns anos e como faremos para lá chegar?". O que terá inspirado o Infante - que nem sequer era Rei - para lançar-se em tão grande aventura? O que tínhamos na altura: que meios, que pessoas? Parece estranho mas, nos dias de hoje, não sabemos bem para onde vamos, mas todos nos queixamos de que não temos meios para atingir um qualquer hipotético objectivo futuro, que, já agora, também não conhecemos. Em resumo, caminhamos a olhar para o chão, ou melhor, para os sapatos rotos que queremos que pareçam brilhar.
Parece descabido o caminho mastigado que temos feito nos últimos anos e a lama que se criou com este pisar, pesado, continuado, e sem sair do mesmo sitio. Já é hora de deixar de nos comportarmos como na véspera do Terramoto à espera que alguém, depois, diga: "Enterrem-se os mortos..."



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ler nos lábios

Depois da mensagem de ano novo todos os partidos se apressam a proclamar "acordos de regime" chegando ao ridiculo de um negar e outro confirmar um mesmo acontecimento, por certo chegaremos à expressão futebolística do "não confirmo, nem desminto".
Enfim, ainda não perceberam de que o País precisa mesmo de alguém que se preocupe com ele, ou seja, com todos.
Continuamos à espera?